Uruguai – Parte II – Vinhos, comidas e vinícolas

Na primeira noite em Montevidéu escolhemos para jantar no restaurante El Raras Avis que fica no subsolo do Teatro Solis. 

A Adega é maravilhosa, os garçons são muito gentis e um pianista faz com que o ambiente fique ainda mais romântico.  Por recomendação do nosso Maitre degustamos um belo Tannat Viejo Stagnari.
Na segunda noite fomos a um Restaurante grã-finíssimo na Rambla Republica de Mexico – O Heming Way Restaurante. A vista, a vegetação frondosa dos arredores da Plaza Virgilio combinado com a beleza da costa rochosa e o ambiente de tranquilidade faz o Hemingway um lugar ícone da cena gastronômica uruguaia. O restaurante está decorado sobriamente com velas e flores, onde suas janelas amplas parecem um barco no mar onde cada passageiro pode escolher a melhor vista do tijupá superior.

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Destacam-se os pratos de peixes especialmente o Linguado à manteiga negra e alcaparras com batatas e vegetais e o salmão do pacifico.
Degustamos um H Stagnari (Tannat – Merlot) num lote exclusivo com o rótulo personalizado do Restaurante. O acompanhamento foi um contra-filé grelhado – Uma combinação perfeita! Procuramos depois este vinho nas lojas especializadas de Montevidéu, mas não encontramos.
Compramos no Uruguai e levamos para degustar algo novo, curioso e inusitado: Trata-se do Espumante Rio de Los Pajaros, Tinto Brut com a uva Tannat. Aspecto rubi, límpido e brilhante. De perlage fino, porém difícil de encontrar, dada a sua potência de cor; o “bicho” parece um nanquim. No nariz, aromas de frutos negros que lembram ameixa, além de café e algo mineral. Na boca, é um espumante pesado, com taninos e baixa acidez, o que o torna um pouco chato. No palato possui Média para baixa persistência. Valeu pela experiência, pois agora podemos dizer para vocês leitores e para os nossos netos que já provamos um espumante tinto.

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Para se deslocar e “ganhar o mundo”, recomendamos alugar um carro. Montevidéu conta com numerosos operadores que oferecem serviços de primeiro nível. Há diversas locadoras de carros com várias promoções e propostas adaptadas as suas necessidades especificas.
Fomos conhecer a Vinícola Bouza. A Bouza não é uma simples vinícola, ela é uma Vinícola Boutique, e concentra boa parte de sua produção em vinhos orgânicos. Com isso a produção não é das maiores, estando o foco na qualidade e não na quantidade. Ainda assim, eles produzem cerca de 100 mil garrafas ao ano, com vinhos premiados e aclamados, colocando a Vinícola Bouza entre uma das maiores vinícolas do Uruguai.
São 5 tipos de uvas em suas plantações: Tannat, Merlot, Chardonnay, Trempanillo e Albariño, distribuídos em 23 hectares, variando o solo e o relevo do terreno. Tudo isso para produzir vinhos com diferentes sabores e aromas. Toda a colheita é feita a noite, quando o clima está mais úmido garantindo mais frescor aos cachos das uvas.
Uma parte interessante da visita na Bodega Bouza é um galpão climatizado e moderno repleto de uma das paixões da família, com carros e motos antigos. É uma magnífica coleção privada de carros clássicos que são exibidos no museu.
A coleção é formada por mais de 30 carros e motocicletas fabricados a partir de 1920, representativos da vida do Uruguai desde os anos 30.


Foram servidos quatro vinhos para Degustação: um branco, Chardonnay; e outros três tintos: Merlot varietal, um assemblage Tempranillo e Tannat e um varietal Tannat Sin Barrica.
Ela fica na região vinícola de Canelones bem próxima da capital, cerca de 25 km (30min), sendo portanto um passeio que não se deve deixar de fazer em Montevidéu.
Quando estiver indo para Punta Del Este, sugerimos uma parada numa vinícola que fica 15 km antes de chegar a Punta; chama-se Punta de La Ballena. Fomos recebidos pela Sra. Paula Pivel; Engenheira Eletricista, Enóloga e proprietária da Vinícola. A vinícola produz vinhos com as cepas tintas tannat, merlot, cabernet franc e syrah além da branca viognier.
A proposta é muito interessante. Eles estão explorando um terroir relativamente novo no Uruguai, que sofre influência de ventos vindos do oceano.
Quando chegamos, havia também um grupo de Americanos da Califórnia fazendo a visita. Fizemos a degustação em um deck, bem agradável e com uma vista de tirar o fôlego. Pela proximidade de Punta del Este, a vinícola será muito explorada para o enoturismo. Provamos alguns vinhos e gostamos da proposta da vinícola. Começamos com um Viognier, na sequência provamos um rosé de bom corpo feito de Cabernet Franc. Passamos para um corte feito de tannat, merlot e cabernet franc; muito bom por sinal. Depois passamos para um corte diferente e interessante: Tannat/Viognier. Gostamos deste vinho, um vinho diferente e saboroso. Por último, provamos um merlot que, segundo fomos informados, recebeu uma premiação. Merlot com boas características da cepa, com força e elegância. Compramos uma garrafa do Cabernet Franc, degustamos e adoramos.
Após nossa viagem ao Uruguai chegamos à conclusão de que devemos enxergar os vinhos uruguaios com mais carinho e com menos preconceitos.

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