Sol de Setembro
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Ceres Mont’Alverne Lopes Angelim

O esplendor do sol de setembro clareia com uma luz dourada e fina, fazendo os seus esfuziantes raios estenderem toda uma harmonia, na extensão do branco e azul do céu da nossa Cidade Princesa. Todo esse cenário natural e claro celebra, festeja o nalaliciante especial, Dom José Tupinambá da Frota, nascido em 10 de setembro de 1882, tendo como pais Manuel Arthur da Frota e Raimunda Artemísia da Frota.
Aos 14 anos de idade, Dom José já demonstrava propensão ao exercício do sacerdócio. “Deixou a sua doce Sobral, e Via Camocim, singrou o Atlântico em busca de Salvador, na Bahia, para matricular-se no Seminário Arquiepiscopal”, onde com excepcional destaque concluiu o Seminário Menor, considerado um passaporte para Roma. Destacava-se sempre o melhor entre todos os alunos (brasileiros, portugueses, argentino, italianos). Dom José subia os degraus da vida episcopal, ampliando os seus conhecimentos, doutorou-se em Filosofia. Formou-se em Teologia pela Universidade Gregoriana, da capital italiana.
Já em São Paulo, capital, ministrou Teologia, Dogmática, Ética, Liturgia, no Seminário do Ipiranga, atendendo ao pedido do bispo paulista Dom Camargo Barros, que continha nas mãos as melhores referências sobre a farta cultura e o fulgurante brilho e prestígio do jovem sacerdote de Sobral. Dom José era poliglota e dominava bem os idiomas como: latim, grego, francês, espanhol e italiano.
Em 20 de janeiro de 1916, após exercer com raro brilhantismo por oito anos o seu fecundo paroquiato, foi escolhido ser o primeiro Bispo da Nova Diocese de Sobral.
O Templo do sol, a Princesa do Norte ressurgiu sob a égide de seu maior benfeitor: Dom José Tupinambá da Frota.
Assim como a Europa renascia com a escultura, pintura e estilos variados, considero Dom José como o representante de toda a época da renascença, trazendo para nós, “sobralenses”, a inspiração da construção com sobrados e casarões, como também o estilo gótico e neo-clássico.
Dom José sempre considerado vulto ilustre, árvore frutífera, semeador do bem, de cultura rara, dotes inteligíveis incomuns, erigidos para a fiel condução do seu rebanho seráfico e da infraestrutura desta cidade, voltada para a Educação e Saúde, das quais educandários, asilos para idosos, Santa Casa de Misericórdia, Seminário Diocesano, Museu e o jornal Correio da Semana.
Todo o acervo e patrimônio edificado por Dom José serviram a Sobral de ontem e serve a Sobral de hoje, como toda Região Norte do Ceará e no porvir. “Para viabilizar o Colégio Sant´Ana, destinado à educação feminina, Dom José cedeu o Palácio Episcopal, suntuosa residência, construída originalmente pelo senador Paula Pessoa na primeira metade do século passado”(Clero, nobreza e Povo de Sobral Lustosa da Costa,pág.21).
“ O colégio Sant´ Ana em Sobral, foi fundado, no dia dois de fevereiro de 1934 pelo bispo Dom José Tupinambá da Frota, sob as bênçãos de Nossa Senhora Sant´Ana. É administrado pela congregação das irmãs Filhas de Sant’ Ana, à frente Madre Rosa Gattorno. O prédio do colégio, com arquitetura de estilo gótico, integra o corredor cultural tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como Patrimônio Histórico Nacional” (Diário do Nordeste, Caderno Regional pág.03, em 28/02/2000).
Dom José como guardião de uma memória privilegiada, zelou pela historiografia sobralense, escrevendo “História de Sobral”, obra cultural que se destacou na cidade e em todo território cearense pela riqueza de seu acervo informativo, contendo um vasto documental, sobre a nossa sociedade, o comércio, os teatros, as bandas de música, as Igrejas, os vigários e toda a vida social de Sobral.
Dom José retornou ao pai em 25 de setembro de 1959. O mês de setembro traduz para os sobralenses o advento e a saudade, com a perpetuação da memória e gratidão ao edificador maior dessa urbe.

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