Sabia que um indivíduo com uma alimentação maioritariamente plant-based, pesa em média menos 13kg do que a população em geral? Descubra como pode combater a obesidade.

obesidade é uma doença de etiologia complexa e multifatorial de elevada prevalência e incidência em vários continentes. Poderá estar associada a várias comorbilidades relacionadas com a síndrome metabólica como a hipertensão, Diabetes Mellitus, resistência à insulina, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia; as quais também contribuem para o declínio funcional do organismo e para a mortalidade.

Este aumento exponencial requer a tomada de medidas estratégicas e inovadoras que sejam eficazes na prevenção, controlo e tratamento; sobretudo no que diz respeito ao estilo de vida e hábitos alimentares – fatores de riscos modificáveis da doença.

A adoção de um padrão alimentar mais saudável, com menos alimentos processados e/ou ultraprocessados; e o elevado consumo de alimentos naturais e/ou de origem; poderá ser uma estratégia promissora.

O padrão alimentar na dieta Whole Food Plant-Based é marcado pelo consumo de alimentos de origem vegetal, nomeadamente fruta, legumes, oleaginosas; por uma menor ingestão de alimentos de origem animal e/ou produtos industrializados. Deste modo, há um maior aporte de nutrientes, antioxidantes e anti-inflamatórios com bastante potencial para a melhoria dos biomarcadores relacionados com o perfil inflamatório da obesidade,

minimizando os riscos de doenças crónicas associadas e, consequentemente, diminuindo a mortalidade.

Há mais de 40 anos que se mostrou que, um indivíduo com uma

alimentação maioritariamente plant-based, pesa em média menos 13kg do que a população geral.

Mais recentemente, em 2017, um grupo de investigadores da Nova Zelândia publicou o estudo BROAD – 12 semanas de um ensaio randomizado na região mais pobre do país, com maiores taxas de obesidade. Os indivíduos obesos foram randomizados para terem consultas médicas padrão ou frequentarem aulas semestrais, que ofereciam conselhos e incentivos a uma

dieta com baixo teor de gordura e maior foco na ingestão de frutas, vegetais, cereais integrais e leguminosas – capacitação através do conhecimento. Não foram fornecidas refeições. O grupo de intervenção foi apenas informado sobre os benefícios da alimentação plant-based e encorajado a incorporá-la nos

seus hábitos de vida. O grupo de controle não teve diferenças significativas no peso corporal, mas o grupo plant-based perdeu em média 8kg ao final de 3 meses, apesar de comer livremente e sem restrição de porções. Após 12 semanas (3 meses), o estudo foi concluído. No entanto, após 6 meses os investigadores convidaram os indivíduos a serem pesados novamente para ver

as diferenças de peso após terem terminado o estudo. O grupo plant-based, tinha baixado cerca de 13kg, referindo terem sentidos benefícios físicos e mentais, sendo que muitos optaram por permanecer na dieta mesmo após término do estudo e continuaram a perder peso.

plant-based e obesidade | holmes place

O estudo BROAD, apesar de ter durado apenas 3 meses, permitiu aos indivíduos não só perderem peso durante o estudo como também nos 6 e 12 meses após o seu término. Esta abordagem menos tradicional, apesar de encorajar as pessoas a comerem sem restrições, e sem controlar as porções e calorias ingeridas, tem como principal estratégia a melhoria na qualidade dos alimentos, ao invés de restringir a sua quantidade.

Quando os indivíduos foram colocados numa dieta rica em frutas,

vegetais, cereais e leguminosas e tiveram permissão para comer o que quisessem, eles consumiram quase 50% menos calorias do que numa dieta de elevada densidade calórica, sentindo-se igualmente satisfeitos com metade das calorias. Ao comer alimentos de elevado volume e baixa densidade calórica, e ao diminuir a ingestão de alimentos de elevada densidade energética (carnes, queijos, gorduras, processados), eles conseguiram manter os seus níveis de saciedade.

Além do impacto na ingestão na ingestão energética, quem faz uma alimentação plant-based parece queimar mais calorias durante o sono. A sua taxa metabólica de repouso poderá ser cerca de 10% maior ou mais, e esse aumento metabólico poderá traduzir num aumento das calorias gastas diariamente.

O crescente interesse pela alimentação whole food plant-based aumenta a oportunidade para o desenvolvimento de novas estratégias preventivas e terapêuticas contra a obesidade, distúrbios alimentares e comorbilidades associadas.

Apesar dos resultados promissores, são ainda necessários mais estudos prospetivos, ensaios clínicos específicos que permitiam analisar mais detalhada e profundamente a modulação do quadro inflamatório crónico de baixo grau da obesidade, bem como os mecanismos subjacentes.

Referências Bibliográficas

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Ariana Costa

Nutricionista Holmes Place Porto

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